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Os kwiuvés

Catito e roliço, o kwiuvé é mais um gnomo das florestas brasileiras do Alto Goiás. Medindo em torno de vinte centímetros de altura, exibe contudo rotunda pança inteiramente pintada a urucum.

No lugar do sexo, os kwiuvés machos têm um dedo e as fêmeas, uma pequena boca sem dentes.

Quem nos descreve o gnomo índio é o antropólogo Sérgio Oliveira, que viveu muitos anos entre os kraôs, estudando seus usos e costumes – do modo como morrem aos modos de morrer, o que é outra (excitante) história.

Segundo Oliveira, nos rituais dos kraôs, acompanhados de intensa fumação da cannabis sativa, os kwiuvés se abraçam e se beijam, dedos e bocas, panças e seios com a delicadeza de bichos entretidos tão só e exclusivamente – toda a existência – nos jogos e mimos de amar.

wilson bueno-“jardim zoológico”, ed.iluminuras, 1999.

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