cemitério de cães

em lisboa, nos fundos do zoológico, existe um cemitério para cães. achei bonito. um lugar para sempre lembrar e homenagear aqueles seres saltitantes que alegram o coração dos homens.

“O que vi é quase indescritível. Uma área verde, cheia de lápides, algumas revestidas de azulejos coloridos e desenhados, como aqueles que só os portugueses sabem criar. Sobre os túmulos, fotos e esculturas de cães de diversas raças ou de raça nenhuma, acompanhadas de inscrições amorosas, em verso e prosa. Em quase todos, vasos de flores e velas gastas. Vi também algumas lápides de gatos e coelhos de estimação. Vários nomes dos animais ali enterrados me encantaram: Pantufa, Mafaldinha, King-Tico, Flay, Butcha, Lara, Dog, Tansinha, Chorona. No túmulo de um cão chamado Jack, li: “Jack, amigo fiel/ a casa ficou vazia,/de ti hoje só existe/ a saudade noite e dia”. Encontrei outros epitáfios comovidos, comoventes, ingênuos, singelos, de sentida sinceridade. Todos com demonstrações efusivas de gratidão aos bichinhos que já se foram.

Percebi, então, um nítido contraste entre os dois espaços visitados: em um, a vida anestesiada, o olhar esmorecido, a distância solitária dos bichos desprovidos de sua animalidade. Como se para eles houvesse apenas grades no mundo. No outro, a memória de muitas vidas que, provavelmente, valeram a pena ser vividas e compartilhadas com a espécie humana.”

Maria Esther Maciel. (crônica publicada no Estado de Minas)

O cemitério de cães – Maria Esther Maciel

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